segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Jardim do Abraço

Pincelada de paixão
Misturada ao aroma de flores
Jasmim, cravo, rosa, lírio, margaridas
Que surgem ao ultrapassar a fronteira do abraço.

Murmúrios voam em bandos
Tangido no tecido pele,
Buscando em cada ecomatizado de arco-íris
O som de rouxinóis.

Brotando o amarelo malva em luz rubra
Do fogo ardente do abraço
Brotam girassóis.

Ele me beija
Me aperta
Com carinho
Me desperta

“Minha primeira lágrima caiu dentro de teus olhos”.
Tive medo de a enxugar:
para não saberes que havia caído.

Cecília Meireles

Sou quem sou,
simplesmente mulher,
não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo,
avanço sinal, ignoro avisos.
Procuro viver,
sem medo, sem dor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos,
desabrocho em risos.
Matéria cobiçada
na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta em completa fissura.
Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa,
repleta, latente.
Meretriz sem pudor,
mulher no ponto, uva madura!
Sou quadro abstrato,
me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final,
sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento,
sorvendo as horas.
Sou pétala recolhida,
sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades.
Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel.
Vivo a vida em reticências...
Ângela Bretas

domingo, 3 de setembro de 2006

Não há vida sem morte
como não há morte sem vida.
Mas há uma morte em vida
e a morte em vida,
é exatamente a vida
proibida de ser vivida...

Amor
um mal que mata
e não se vê.
Que dias há que
na alma me tem posto
um não sei quê,
que nasce não sei onde,
vem não sei como
e dói não sei porquê.

Camões

Pessoas

Tem os que passam
E tudo se passa com passos
Já passados.

Tem os que partem
Da pedra ao vidro
Deixam tudo partido.

E tem, ainda bem,

Os que deixam
A vaga impressão
De ter ficado.

Alice Ruiz

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

Cecíclia Meireles

sábado, 2 de setembro de 2006

Preciso

Murcho como uma flor sem água,
quando fico muito tempo sem você.

Mantra

“A paixão é como Deus
Que quando quer
Me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos
Meu passo é dela
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento".

Rodrigo Maranhão e Pedro Luis na voz de Maria Rita