domingo, 12 de abril de 2009

Estrada Nova




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Reticências


Desse momento escarlate
Quero a flor, o beijo, o chocolate, o riso
O gozo, a lua, a borboleta
O caracol, o mi-bêmola alfazema
Pra quando o vermelho ficar esmaecido
Eu poder conservar meu colorido
Nas reticências úmidas de algum poema


Flora Figueiredo

Um que continua no Outro


Temos a mesma pele.

É isso que nos impele a sermos um, sendo dois.

Amar é ter a mesma pele,

O resto vem depois.

(E não falo da cor, que é indiferente no amor).


Torquato da Luz

Eternidade


Mas como descrever
A sensação de eternidade
Quando sinto junto ao meu
Teu coração bater?



Fernanda Guimarães

sábado, 11 de abril de 2009

Ouvir o próprio Corpo !


Nosso corpo fala, sinaliza, nos diz o tempo todo que algo não vai bem, mas faz isso de forma muitas vezes discreta. E essa linguagem discreta teria grande diferença em nossas vidas se fosse dado a devida importãncia, mas a realidade é que ignoramos, não prestamos atenção quando o corpo fala de como está nosso estado físico e emocional.

Negligenciamos um sinal de cansaço e continuamos arduamente a trabalhar, sentimos uma dor e preferimos tomar um analgésico a tentar perceber o porquê dessa dor.E quantas vezes sentimos dor de alma e calamos sem enfrentar o problema.

“...o corpo molda-se a partir de uma carga genética, através de experiências, sentimentos, emoções, recordações e pensamentos. Guarda os seus segredos até os querermos decifrar e não se cansa de nos dar pistas na forma de sintomas, que é a sua maneira de falar.”
"A Memória Corporal" de Luz Casanovas.

O tempo vai passando e dia após dia, o corpo retém as agressões que vai sofrendo desde o stress, o desgaste físico até uma má nutrição, a nossa desatenção aos sinais manifestados, desencadeiam em pouco tempo, situações de desiquilíbrio físico e emocional que poderiam ser evitados se fosse dado a devida atenção a esta forma de linguagem.

Ouvir o próprio corpo querer mais do que atenção, querer sabedoria !

E não custa tentar sermos mais sábios e atentos com esse amigo que não quer outra coisa a não ser o nosso bem.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Todo !!


Sempre desprezei as coisas mornas,

As coisas que não provocam ódio nem paixão,

As coisas definidas como mais ou menos,

Um filme mais ou menos ,

Um livro mais ou menos.

Tudo perda de tempo.


Viver tem que ser perturbador,


É preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados,

E com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco,

Sua adoração ou seu desprezo.

O que não faz você mover um músculo,


O que não faz você estremecer, suar, desatinar,

Não merece fazer parte da sua biografia.


Trecho de "O Divã"
Martha Medeiros

Para Fazer a Saudade Sorrir


Faz música pra mim

E coloca em envelopes fechados por língua morna.

Faz versos nas costas da lua.

Dedilha nossos desafinos.

Na areia da praia anoitecida, deita minha ausência

E colhe os ruídos.

Oferece na concha das mãos. Segredos.

Canta baixinho e grita desespero para abafar

O silêncio das pausas.

Desatina mariposa, asas de procura nos meus olhos acesos.

Desenha em ponta de agulha sobre a pele

E assina o nome por baixo.

Criptografia.

Espera.

Até ouvir meu riso com gosto de maçã

A provocar cócegas na saudade.

Ele faz música e promessas bordadas em luzes de amor.

Eu sangro.



Ane Aguirre

domingo, 5 de abril de 2009

Estradas de Papel

À margem de minhas
Estradas de papel
É que planto meus lírios
Oferto aos peregrinos
Meus papiros
Minhas púrpuras
Minhas rosas
Meus delírios




Altino de Castro

Infinito


O amor é a fusão de opostos

Cheio de sentir-sofrer-sorrir

Que nos engole num abismo

E nos faz experimentar o infinito.



Fábio Farias

Sem Paixão


Sem paixão

Os versos desandam

O corpo emudece

O olhar, escurece

E minha alma

Enferma, grita



Fábio Farias