quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Um quê de não sei quê


Ela é moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso

Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice

Uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser

Um toque de intuição, e um tom de doçura

Ela reflete lilás, um brilho de estrela

Uma inquietude, uma solidão de artista

E um ar sensato de cientista

Ela é intensa e tem mania de sentir por completo
-
E de ser por completo

Dentro dela tem um coração bobo

Que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez

Ela tem aquele gosto doce de menina romântica

E aquele gosto ácido de mulher moderna



Caio Fernando Abreu

Bom...!!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Flutue


Tenta te orientar pelo calendário das flores

Esquece por um momento os números

A semana, o dia do teu nascimento

Se conseguires ser leve, aproveita

Enche tuas malas de sonhos

E toma carona no vento



Fernando Campanella

Força


Ela olhou o campo sem fim, onde ela era única

E subtamente sentiu respeito pela coragem da flor

Pela audácia de ser pequena e fraca

Em meio a coisas rudes

Maiores do que ela



Caio Fernando Abreu


Direito e dever


E celebro todo dia o meu direito de ser boba

Tatuando poesia no céu da minha boca



Ana Jácomo

domingo, 21 de novembro de 2010

Contorcionista


Gosto de imaginar na minha ludicidade poética

Que somos girassóis humanos

Lindas, fartas, ensolaradas pétalas sutis

É da nossa natureza buscar a luz e o chamado intransferível

É tão vital que às vezes até nos tornamos contorcionistas

Diante das circuntâncias da vida

Só para nos voltarmos para ela

E o miolo, bordado cheinho de sementes de amor e de lume

É o nosso coração



Ana Jácomo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sorriso e Música



Semente


Flor parece a gente

Pois somos sementes

Do que ainda virá



O Teatro Mágico

Para isso vivemos


Não lemos e escrevemos poesias porque é bonitinho

Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana

E a raça humana está repleta de paixão

Medicina, advocacia, administração e engenharia

São objetos nobres e necessários para manter-se vivo

Mas a poesia, beleza, romance, amor

É para isso que vivemos



Sociedade dos poetas Mortos

domingo, 14 de novembro de 2010

Lua do Poeta


Diz a lenda que o poeta Li Po

Afogou-se na noite em que embriagado

Quis agarrar a Lua sobre o lago

É lenda, bem se vê

Pois a verdade é que a Lua

Teria seguido o poeta a qualquer canto

Se ele apenas a tivesse chamado



Marina Colassanti