sexta-feira, 11 de julho de 2008

La Luna


¡Con qué pura y serena transparencia
brilla esta noche la luna!
A imagen de la cándida inocencia,
no tiene mancha ninguna.

De su pálido rayo la luz pura
como lluvia de oro cae
sobre las largas cintas de verdura
que la brisa lleva y trae.

Y el mármol de las tumbas ilumina
con melancólica lumbre,
y las corrientes de agua cristalina
que bajan de la alta cumbre.

La lejana llanura, las praderas,
el mar de espuma cubierto
donde nacen las ondas plañideras,
el blanco arenal desierto,

la iglesia, el campanario, el viejo muro,
la ría en su curso varia,
todo lo ves desde tu cenit puro,
casta virgen solitaria.




Rosalía de Castro
Menina Colgate, beijo...sempre!

Buscar a Dois



Buscar a dois

O equilíbrio entre a liberdade e o estar junto

A leveza necessária para alçar vôo

Que haja mais alegria que tensão

Que dê frio na barriga

E um certo ar de deboche da altitude

Canção do Amor Sereno


Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.

Lya Luft

Me enfrento


Do fundo da minha covardia me ergo e enfrento
Da convicção da minha teimosia arranco a determinação
E do orgulho a vontade de continuar

Da vergonha o medo de desistir
E da incerteza a vontade de descobrir
Da timidez faço a capacidade de desenrasque
E da falta de eloquência um silêncio inteligente

Da tristeza os sorrisos
Da solidão a alegria de viver cada momento

Do fraco faço forte
E da fraqueza aparência de grande força
Só pelo medo de sofrer, que é tão grande em mim.

Carla Ribeiro

Humanos


Aceite humildemente suas imperfeições, seus fracassos,
seus erros, suas fragilidades.
Não há nenhuma necessidade de fingir de outra maneira.
Apenas seja você mesmo, que,
Isso é como sou - cheio de medo.
Que receio entrar na noite escura.
Que tremo ao penetrar na espessa floresta.
Que há de errado nisso?
Não, não há. Porque somos
Apenas humano.

Osho

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Shine on

Silêncio


Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas,
Ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar
Devagarinho na rede pensando em dormir com você.
Vou te escrever carta e mandar.
Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
Vou ver Saturno e me lembrar de você.

O tempo não existe.
O tempo existe, sim, e devora.
Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher.
Sem encontrar, porque terei esquecido.
Alfazema? Alecrim.
Quando eu olhar a noite enorme do Equador,
Pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu,
Seria suficiente para modificar nossos roteiros.



Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Meu Caminho


O que sou

É o único caminho seguro

Que conheço


Inês Pedrosa

Na Lata do Poeta



Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

(Metáfora - Gilberto Gil)

Folha em branco


Disse uma folha de papel branco:
"Pura fui criada e pura permanecerei para sempre.
Antes ser queimada e convertida em brancas cinzas,
do que suportar que a negrura me toque ou o sujo chegue junto de mim".
O tinteiro ouviu o que a folha de papel dizia, e riu-se em seu escuro coração.
Mas não ousou aproximar-se dela.
E os lápis multicoloridos ouviram-na também,
e nunca se aproximaram dela.
E a folha de papel, branca como a neve, permaneceu pura e casta.
Para sempre, pura, casta...

e vazia...

Khalil Gibran