terça-feira, 24 de julho de 2007

Fico até Adormeceres


Se quiseres,

Até nem falo,

Ouço só o que disseres,

Vem deitar-te no meu colo,

E diz tudo o que quiseres,

Fico até adormeceres.



Se quiseres,

Mando calar,

O vento que vem do mar,

Rasgando a noite crua,

Ou então,

Se preferires,

Só para te distraíres,

Eu faço dançar a lua.

Fico até adormeceres,

Fico enquanto tu quiseres.



Fecha os olhos se quiseres,

Só até adormeceres.

Se quiseres

Eu fico apenas,

Até ver se tu serenas,

A proteger-te do frio.

Fecha os olhos se quiseres,

Que hoje tudo o que disseres,

Nunca sairá daqui.



Paulo Gonzo

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ainda que. Ainda assim.


Ainda que eu pudesse decifrar os silêncios que, lentamente,
vão lapidando a memória,

não poderia esquecer-me daqueles sonhos que um dia me mostraram amplitude.

Ainda que desabrochasse em pétala suave, regada pelo orvalho de uma noite tênue,

não poderia apagar aqueles transbordamentos em novidades.

Ainda que a mesmice dos dias me revelasse a suavidade do tempo e a beleza dos pássaros,

não apagaria as pegadas de arrependimentos e aprendizados que me fizeram chegar até aqui.

Ainda que um tempo de calmaria pousasse sobre a pele, ou o destino me revelasse uma
paixão estarrecedora, que me permitisse tocar o etéreo e o fugaz

Ainda assim escutaria, perfeitamente, o lento bater de um coração cicatrizado,
que se aconchega e reinventa os dias por detrás do leve peso dos seios.
=
Texto de Autor Desconhecido

domingo, 22 de julho de 2007


- É verdade que os amores eternos nunca morrem?

- É. Ou não seriam eternos.

- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?

- Mesmo que a pessoa esteja longe de você. Mas
=
- ela estará mais perto do que você pensa.

- E como sabemos que aquele amor é eterno?

- Não sabemos. Até um dia.

- O dia em que ele vai embora?

- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.


Fábio Fabretti

Alma Sertaneja e Cigana

Elpídio dos Santos, compositor, escultor e poeta brasileiro nasceu na cidade encravada na Serra do Mar, entre Taubaté e Ubatuba -SP, no dia 14 de Janeiro de 1909.

Filho de Mestre Alves, maestro da banda e dona Benedita Alta de Toledo.Toda a família era de artistas que se dedicavam à música, pintura e trabalhos com madeira.
Elpídio herdou o talento. O gosto pela música veio com a participação na banda regida por seu pai, mas Elpídio gostava mesmo de violão, instrumento que estava sempre em seu colo, feito um bebê.Curioso aprendeu a tocar sozinho, foi se aperfeiçoando, ficando cada vez melhor.

Casou-se com Cinira Pereira dos Santos aos 41 aos e tiveram 7 filhos.
Mudou-se para São Paulo, onde cursou música no conservatório Paulista de Canto Orfeônico, obtendo com brilhantismo seu diploma de Professor. Fez também o curso de aperfeiçoamento musical no Instituto Musical de São Paulo. Ainda em São Paulo, lecionou no ginásio 7 de Setembro, no Sesc e deu aulas particulares. Formou muitos músicos.

Compositor predileto de Mazzaropi. Entre mais de mil composições deixou dezenas de clássicos e sucessos consagrados na tela do cinema.
Suas composições são conhecidas nas vozes de Fafá de Belém, Almir Sater, Pena Branca e Xavantinho, Zé Renato, Ségio Reis...
Suas composições são singelas histórias, escritas de um jeito doce que as tornam gostosas de ouvir.

A música Mucuripe, composição de Raimundo Fagner e Antônio Carlos Belchior, cantada por famosas vozes da música popular brasileira, dentre elas Ivan Lins, é uma homenagem à Elpidío dos Santos.

Elpídio, morre de repente no dia 3 de Setembro de 1970 em São Luís do Paraitinga.
Como legado, deixou uma obra de mais de mil músicas, várias peças de escultura, poemas, desenhos.


Manuel de Falla, compositor espanhol, nasceu em Cádiz, no dia 23 de Novembro de 1876.
Filho de comerciante e de pianista.Recebeu suas primeiras aulas de sua mãe, Carmen Matheu y Parodi que cantava com sua doce voz, impressões que o acompanharam por toda a vida.Seu avô Manuel de Falla, tocava muito bem piano e influencia o neto em quem percebe sensibilidade e talento.
De Falla é o mais velho de cinco irmãos, dos quais apenas três chegaram à idade adulta.Com cinco anos inicia seus estudos de piano e aos seis une esses estudos com os de solfejo e canto.Começa a compor aos 12 anos.

Estudou piano em Madrid com José Trago e composição com Felipe Pedrell.
Em 1899, por votação unânime, foi-lhe conferido o primeiro prêmio na competição de piano do seu conservatório e, por volta dessa mesma época, começou a usar o "de" com seu primeiro sobrenome, fazendo "de Falla" ser o nome com o qual se tornaria famoso.

Grande pianista, começou sua carreira escrevendo zarzuelas (óperas cômicas espanholas). Foi por influência de Pedrell que de Falla tornou-se interessado na música espanhola, particularmente no flamenco andaluz (em especial o cante jonde), que se mostraria marcante em muitas de suas composições.
Foi um dos principais nomes do movimento nacionalista que, no começo do século XX, promoveu o renascimento das tradições e dos temas populares da música de seu país.

Em Paris, conviveu com alguns dos mais conhecidos compositores da época, como Debussy, Ravel, Albéniz e Stravinski, cujas tendências inovadoras influenciaram sua música. Tem também Wagner como influência, mas deixa bem claro sua marca com o colorido espânico.O ritmo e o colorida da música cigana.
Foi então que estabeleceu a síntese entre o intenso modernismo que eles lhe ensinaram e as prolongadas e plangentes melodias da música popular andaluza, com suas duras e secas harmonias de guitarra. Em Paris compôs, entre outras obras, as Siete Canciones Populares Españolas, em que se manifestou pela primeira vez todo seu gênio.

Em 1928 começou a trabalhar na partitura de La Atlántida sobre um poema de Jacint Verdaguer, e isso o ocupou pelo resto de seus dias.
Morre na Argentina, na cidade de Alta Gracia, no dia 14 de Novembro de 1946.

Folclore, história não escrita de um povo, passada de geração em geração.
Elpidio dos Santos Santos e Manuel de Falla, têm em comum exatamente isso, o Folclore.
Baseado no programa Sinfonia Fina

sábado, 21 de julho de 2007

Amor perdido ainda é amor.Assume uma forma diferente, só isso.
=
Não se pode tocar as mãos, não se pode mexer os cabelos,
=
mas quando essas sensações desaparecem da vida,
=
outras aparecem.
=
A memória se torna sua parceira.Você abraça, você dança com ela.
=
A vida foi feita para terminar.
=
O amor não.
=
As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu

quarta-feira, 18 de julho de 2007


Triste lembrar que não tem muito tempo estávamos sentindo exatamente isso.
Triste imaginar que não demora muito e esse mesmo sentimento poderá voltar.
=
Estamos nas mãos de pessoas que colocam ganância e a ambição desmedida à frente de valores tão importantes, o respeito á Vida.

Ao comprar uma passagem, não importa qual seja o meio de transporte,
Ao pararmos em um sinal vermelho,
Ao sairmos de casa,
Estamos assinando um documento dizendo que estamos prontos à serem assassinados.
Isso porque pagamos e não recebemos pelo que compramos: Segurança.

Fatalidade ou irresponsabilidade?

Fatalidade - Marca do que é fatal, força que predispõe irrevogavelmente ao acontecimento, destino.

Acúmulo de água na pista não mata, o que mata é a liberação de uma pista sem a menor condições de uso em dias de chuva.
O que mata é a liberação de aeronaves sem manutenção devida, adequada.
O que mata é o abandono das estradas esburacadas, sem sinalização, sem acostamento.
O que mata é ver autoridades, não tomando pra si a responsabilidade, e com gestos obscenos mostrar-se aliviados por terem se livrado de mais uma.
O que mata é ver a "autoridade maior" de um país dizer que, todos têm medo de avião, e que até ele coloca sua vida nas mãos de Deus ao entrar em um.
O que mata é não saber qual será a próxima "fatalidade".
O que mata é saber que diante de um novo desastre nos anestesiaremos dos que passaram.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Se procurar bem você acaba encontrando.
=
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
=
Carlos Drummond de Andrade

Formas


(...) Andei por todas as vielas
sem guia
A cada vez que me perdia
me achava
Fosse a vida quadrada
Eu percorria os quatro cantos
Mas não !
É redonda como um O
E o fim se confunde com o começo...
=
Leila Silva

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O amor é coisa que se aprende

E esse vazio que as vezes se sente

É a eterna vontade de aprender

É a eterna vontade de ensinar

A Paixão

Feito um vendaval,
Paixão é a alucinação amorosa.
E os apaixonados são duas espécies:
os generosos, que se dão inteiramente,
se jogando nas mãos do outro,
e os possessivos, que querem que o outro se incorpore
a eles convertidosem sombra viva.
Paixão, por isto, é arma de dois gumes.
E corta. E Sangra.
Se não sangrou, se não teve insônia, se não desesperou,
paixão não era.
Talvez fosse desejo, que o desejo é diferente.
No desejo a gente quer o outro para possuir apenas, passageiramente.
Na paixão, não.Na paixão,
a gente quer se fundir com o outro, para sempre.
E se o outro disser assim:
“Vai ali buscar aquela estrela para mim”, a gente vai.
Se disser:
“Não estou gostando do seu nariz”, a gente opera.
A paixão é boa? A paixão é ruim?
Ninguém sabe. Ela acontece.
Como certas tempestades ela acontece.
Assim como depois dos vendavais os elementos da natureza
já não são os mesmos,
ninguém é o que era depois do desvario da paixão.
Vidas renascem com paixões.
Outras viram cinza por causa dela.
E há pessoas que são como aquela ave mítica, a Fênix,
vivem renascendo das cinzas da paixão.
Karl Max, errou completamente.
Não é a luta de classes que move a história, é a paixão.
Paixão é a revolução a dois.
E toda a comunidade fica abalada.
Foi assim com Romeu e Julieta.
Foi assim com Tristão e Isolda.
Não é de hoje que reinos se fazem e se refazem por causa da paixão.
Existe diferença entre amor e paixão?
Existe.
No amor, claro que há luminosa coabitação.
Mas o amor é também paciente construção.
Já a paixão é arrebatamento puro e a voragem
é tão grande que pode tudo se esgotar de repente.
Quantas vezes se apaixona numa vida?
Há gente que vive se inventando paixões para viver.
E há gente que organiza toda sua vida em torno de uma única
e consumidora paixão.
Paixão é transgressão.
Quanto mais obstáculos inventarem,
mais o apaixonado os saltará.
E o apaixonado não tem medo do ridículo .
O que lhe importa o mundo
se o seu mundo é apenas o mundo da pessoa amada?
A paixão tem cor. É roxa.E é vermelha.
Pressupõe morte e ressurreição.
Da paixão vivemos muito.
Da paixão morreremos sempre.

Affonso Romano de Sant’Anna