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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Reflexos

gotas d'água


na lâmina do lago:


flores de cristal



Bernardo Souto

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007






As rosas é que são belas,

Os espinhos é que picam;

Mas são as rosas que caem,

São os espinhos que ficam...





Umberto Eco

sábado, 6 de outubro de 2007


Para aquecer-te os lábios

quarta-feira, 3 de outubro de 2007



Quando uma estrela cai do firmamento


Deixa um rasto de luz que apenas dura


O decorrer de um breve momento


E, fica a noite ainda mais escura.



Também do céu do nosso pensamento


Partem estrelas, às vezes, à procura


De novos caminhos


E, no olhar atento


Descobrem caminhos em pedra dura.


=

Desconheço o autor


A casa da saudade chama-se lembrança:
=
é uma cabana pequeninha que abriga e aquece o coração.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Naquela Mesa


http://www.nossosite2.biz/AntigosSucessos/NelsonGoncalves/Naquela_Mesa.mid
=
Naquela mesa ele sentava sempre

E me dizia sempre o que é viver melhor

Naquela mesa ele contava histórias

Que hoje na memória eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente

E contava contente o que fez de manhã

E nos seus olhos era tanto brilho


Que mais que seu filho

Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto

Uma mesa num canto, uma casa e um jardim

Se eu soubesse o quanto dói a vida

Essa dor tão doída, não doía assim

Agora resta uma mesa na sala

E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele

E a saudade dele tá doendo em mim.



Letra de Sérgio Bittencourt

homenagem a seu pai

Jacob do Bandolim


Natureza

em plena declaração de Amor...

domingo, 23 de setembro de 2007


A ausência torna o coração mais amante


Sexto Aurélio Propércio

Poema à Manhã - Agradecimento


Abri a janela

para a manhã que me tomou de surpresa

com a sua adolescente beleza,

seu céu azul, esmaltado,

e me deixei ficar, por um momento, em silêncio

deslumbrado...

E só pude dizer finalmente,

com a humildade de crente:



- Obrigado !



J.G. de Araujo Jorge


No fim tu hás de ver

que as coisas mais leves são as únicas

que o vento

não conseguiu levar:

um estribilho antigo,

um carinho no momento preciso,

o folhear de um livro de poemas,

o cheiro que tinha um dia,

o próprio vento....

Mário Quintana

terça-feira, 18 de setembro de 2007


Nenhum homem é uma ilha isolada;

cada homem é uma partícula do continente,

uma parte da terra;

se um torrão é arrastado para o mar,

a Europa fica diminuída,

como se fosse um promontório,

como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria;

a morte de qualquer homem diminui-me,

porque sou parte do gênero humano.

E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;

eles dobram por ti.

John Donne

sábado, 8 de setembro de 2007

Tu tens um medo


Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.Na dúvida.No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.Na tristezaNa dúvida.No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.E se vai, ele mesmo.
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,Difícil,O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos
Enganados
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor
E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu,
que é eterno.

Cecília Meirelles


Houve um tempo em que minha janela

se abria sobre uma cidade que parecia

ser feita de giz.

Perto da janela havia um

pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra

esfarelada, e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre

com um balde e, em silêncio, ia atirando

com a mão umas gotas de água sobre

as plantas. Não era uma rega: era uma

espécie de aspersão ritual, para que o

jardim não morresse. E eu olhava para

as plantas, para o homem, para as gotas

de água que caíam de seus dedos magros

e meu coração ficavacompletamente feliz.

Às vezes abro a janela

e encontro o jasmineiro em flor.

Outras vezes

encontro nuvens espessas.

Avisto crinças que vão para a escola.

Pardais que pulam pelo muro.

Gatos que abreme fecham os olhos,

sonhando compardais.

Borboletas brancas, duas a duas,

como refelectidas no espelho do ar.

Marimbondos que sempre me parecem

personagens de Lope de Vega.

Às vezes um galo canta.

Às vezes umavião passa.

Tudo está certo, no seulugar, cumprindo o seu destino.

E eu mesinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante decada janela, uns dizem que essas coisas

não existem, outros que só existem diante das minhas janelas,

e outros, finalmente, que é preciso aprender a

olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ser feliz não é ter uma vida perfeita.

Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.

Usar as falhas para esculpir a serenidade.

Usar a dor para lapidar o prazer.

Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.


Augusto Cury

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Do oceano onde me revia
=
sobrou só uma água de nada

visita-me ela todo o dia

perversa, maldosa e salgada.



Não serve para a sede matar

mas antes salga a minha vida

não parando de gotejar

faz com que a sinta mais sofrida.



Primeiro, brilha dolorosa

depois em queda copiosa

domina todo o meu querer.



Ofusca-me pois está água

gota-forma da minha mágoa

matiz salgada do meu ser.



Henrique Moreira

quinta-feira, 16 de agosto de 2007


Mesmo que voes, um dia perderá as asas.

Isso mostra o quanto és frágil.

Mas, enquanto voas, pode ir aonde queres.

Isso mostra o quanto és livre.

Kitsune Faherya

domingo, 12 de agosto de 2007


Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou
de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher,
amar, caminhar ao nosso lado.
Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas
e a gente não vê.
A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente.
A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias.
É do instante quando os olhos se perdem no nada e
nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo.
É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo.
Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor
ou debochar das mentiras que eles contaram
mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor,
ser os primeiros a começar.
Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa,
quem vai ser o primeiro a sorrir?
Rita Apoena

sábado, 11 de agosto de 2007

Arrepio


O arrepio é quando,



por serem tão leves,



seus dedos conseguem,



em cada um dos meus poros:



soerguer uma flor.




Rita Apoena

Escrevo-te cartas que nunca irás receber

=a morada desaparece

sempre que tentamos encontrar

não uma porta, mas uma casa inteira.

desligo tudo dentro deste quarto.

ouço, incompleto, com a janela

entre aberta ao fresco da noite

cada pequeno ruído,

como se fosse um código para nos entendermos.


Ruy Ventura

domingo, 5 de agosto de 2007

Assim que vi você
Logo vi que ia dar coisa
Coisa feita pra durar,
Batendo duro no peito
Até eu acabar virando
Alguma coisa
Parecida com você
Parecia ter saído
De alguma lembrança antiga
Que eu nunca tinha vivido,
Mas ia viver um dia
Alguma coisa perdida
Que eu nunca tinha tido
Alguma voz amiga
Esquecida no meu ouvido
Agora não tem mais jeito,
Carrego você no peito
Poema na camiseta
Com a tua assinatura
Já nem sei se é você mesmo
Ou se sou eu que virei alguma coisa tua

Alice ruiz