domingo, 5 de agosto de 2007


Amor é uma mistura de alegria e medo;

De paz por um lado e ameaça de guerra pelo outro.

É pensar que a felicidade tem nome e endereço.

É sofrer tanto quanto querer.


Bruno Campel

Esperanto


Falo sua língua

Com meus dedos

Românticos, agressivos

Tímidos, nostálgicos

Perambulam, intercalam

Expressam e se calam

Fazem cair barreiras

Criam raízes profundas e rasteiras

Meus dedos

Sua língua,

Constante fusão.



Deborah Milgram


Nunca lhe prometi um jardim de rosas, o livro conta a história de uma garota de dezesseis anos, Deborah Blau, que tem esquizofrenia, e é internada pelos pais em um hospital psiquiátrico.

Ela vive em dois mundos, realidade e imaginário.O segundo criado para fugir da realidade sofrida, um mundo de deuses e personagens que acredita serem reais.

Com passagens emocionantes, fortes, de narração sublime, onde emoção, realidade, força, doença e aceitação se entrelaçam e fazem desse um romance surpreendente.

Hannah Green escreve de uma maneira clara e bela, e faz o leitor torcer para vê- la bem e recuperada

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Rosas

Rosas!!

Gosto de rosas vermelhas sanguíneas vibrantes de paixão!

Gosto de rosas orvalhadas, pingando de geadas noturnas e,

de alvoradas, manhãs frias que cortam os dedos e ferem a Alma!

Gosto de Rosas! Daquelas do teu jardim!

E, do meu jardim: do caminho perdido no fim da vereda,
=
daquele prado.

Também gosto delas brancas a clamar pureza a lembrar infância,
=
inocência, esperança!

Ah! A esperança e as rosas!

Terão alguma similaridade? Serão binómio?
=
Serão um "duo" uma "aliança"?

Sempre desejei ter uma rosa, por ti ofertada

E, no meu jardim semeada,

eterna (sem estação) ;

Semeada por tua mão

Colhida e colocada, junto ao meu coração!

Rosas! Ah, as rosas!

Como gosto delas, brancas, amarelas ou vermelhas,
=
sangrando de vermelho como as pétalas sangrentas, dolorosas,
=
violentas, do tom, do peso, do tamanho da medida, imedível,
=
da minha paixão!

Rosas! Rosas!

Gosto de todas as rosas do teu jardim, aquelas vermelhas,
=
brancas ou amarelas, colhidas para mim!


Heloísa B.P.


Queria de ti um país de bondade e de bruma

queria de ti o mar de uma rosa de espuma.


Mário Cesariny

Quando tu vens ao meu encontro

sorrindo

Rosa precipitada

antigo Mar Vermelho

meu coração

abre-se



Ana Hatherly


Com mãos se faz a paz se faz a guerra.

Com mãos tudo se faz e desfaz.

Com mãos se faz o poema - e são de terra.

Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.



Não são de pedra estas casas,

mas de mãos.

E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas


as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.


Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre

quarta-feira, 1 de agosto de 2007


Creio nos anjos que andam pelo mundo,

Creio na deusa com olhos de diamantes,

Creio em amores lunares com piano ao fundo,

Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;


Creio num engenho que falta mais fecundo

De harmonizar as partes dissonantes,

Creio que tudo é eterno num segundo,

Creio num céu futuro que houve dantes,


Creio nos deuses de um astral mais puro,

Na flor humilde que se encosta ao muro,

Creio na carne que enfeitiça o além,


Creio no incrível, nas coisas assombrosas,

Na ocupação do mundo pelas rosas,

Creio que o amor tem asas de ouro.

Amén.


Natália Correia

Finalmente
(embora saibas que não há nem fim nem princípio) :
deves dizer ainda
que há uma rosa de espuma no teu peito
e que o seu perfume não se esgota.
E que lá também existe
uma fonte onde bebem as flores silvestres.

Mas não humildes, como ias chamar-lhes :
altas como as espigas do vento,
que no vento se esquecem
e que no vento amadurecem.


Albano Martins


Em quem pensar, agora, senão em ti?

Tu , que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste amanhã da minha noite.

É verdade que te podia dizer:

"Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre
fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?"

Mas ensinaste-me a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,

até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide.

Mas é isto o amor;

ver-te mesmo quando te não vejo,

ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,

mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,

subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo,

para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.

Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar:

com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo,

com esta sede que não passa.

Tu:

a primavera luminosa da minha expectativa,

a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim,

até ao fim do mundo que me deste.


Nuno Júdice