Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Em tons de azul

Um pouco mais de azul eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
=



Mário de Sá-Carneiro

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Para embalar-te

Que as nuvens te cubram o corpo

Enfeitem o que já em você é perfeito

E sejam macias ao seu sono de anjo

O que somos...


... letras, palavras, versos...

Comparo nossos encontros à composição de poemas

Onde cada um tem sua forma própria

Ou se moldam a nossos instantes

Poemas de amantes racionais e outros totalmente irracionais

Banhados pelo sentimento maior e indomável, o Amor

Que importa se rimas ainda faltem para compor esse amor

Amor é sempre um poema misteriosamente inacabado

Onde palavras brotam na sua mente

E desabrocham na minha boca, e vice versa

Quero é desfrutar essa tua essência:

Meio homem, meio anjo

Estar contigo é aprende

Tu já me mostrou que voar

É o único meio de experimentar a vida

Em silêncio


Talvez assim eu possa finalmente
=
Segredar-te as palavras que não soube

Dizer-te no momento em que te vi

Pela primeira vez e, de repente

O mundo foi tão grande que não coube

Na minha voz e logo emudeci


Torquato da Luz

Branco e Vermelho


O sangue vermelho do homem branco

Do homem prêto, do homem amarelo.

O sangue é vermelho, é um sangue só.

O leite branco da mulher branca

Da mulher prêta, da mulher amarela.

O leite é branco, é um leite só.

Deus pôs por dentro de homens e mulheres

De aparências tão diferentes, uma humanidade só:

O mesmo anseio, a mesma fome

O mesmo sonho, o mesmo pó

O mesmo sangue vermelho

Da côr da vida, da côr do amor, e mais:

O mesmo leite branco

Da côr da paz.



José Guilherme de Araújo Jorge

Templo do pensamento


Acordei!
A casa estava quente como o meu corpo.
No silêncio do quarto a percepção
De que o amanhã havia acabado de despertar.
Entre olhos sonolentos,O corpo arrepiado,
Transformou a superfície lisa em leves ondas.
Todos os músculos foram esticados.
Cada fibra estendida ao extremo.
A boca abriu-se...
Na frente o espelho revelava a silhueta,
Que dengosa percebeu suas formas delicadas
Nas curvas acentuadas.
Sorri...
O tempo nublado percorreu e penetrou no aposento.
Intrometido!
Transformou a quietude com o suave zumbir dos ventos.
Trocou a cor pálida das paredes.
Deu vontade de cobrir, ficar encolhida, quieta.
Era hora da partida que não pode deixar para amanhã o adeus de todos os dias.
Deixei que os minutos passassem, não fiz questão de segurá-los.
Que o tempo nublado chegasse, penetrasse todos os meus poros.
Que as horas permitissem aos minutos serem donos do tempo.
No peito arfante os dois elementos semisturaram, nublando
Meus pensamentos.
Fizeram do corpo moradia.




Tereza Cristina Fraga

Domingo, 5 de Julho de 2009

Ainda bem


Tem os que passam

E tudo se passa

Com passos já passados

Tem os que partem

Da pedra ao vidro

E tem, ainda bem

Os que deixam

A vaga impressão

De ter ficado


Alice Ruiz

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Primavera


Não te trarei flores
Mas tomarei a tua mão
E levar-te-ei até elas
Não um punhado de flores
Mas um bosque salpicado de prímulas
Obscurecido por violetas
Dou-te a primavera


Pam Brown

Para ouvir


Abre um pouco os lábios
Deixa-os escutar o que te digo




Pedro Jordão

Vôo


Que graça teria alçar vôo a ponto de alcançar as estrelas...

Se não tivesse alguém pra partilhar dessa emoção?

De certo bacana...mas nunca, sublime...

Eu te amo por tudo que se repete mas que nunca é igual...

Quanto mais te conheço, mais subsídio eu tenho pra saber te amar.
=
24 julho de 2007
=
B.P.

Grito d'alma


Palavras têm força inexplicável:

Encanto e magia que fascinam e encantam

Tornando-se maiores que a inteção original de quem as profere

De modo especial, a poesia é o grito da alma, que sangra e vaza para o mundo

É a comunicação que vence os limites da acuidade visual

Para instalar-se, hospedar-se na cabeça daqueles

Que abrem a mente para recebê-la

Porque toda revolução se inicia com idéias e palavras


Célio Gárcia

Camadas


Tenho muitas camadas
Uma camada de livros, outras de sapatos
Tem a camada de plantas
Tenho camadas de cosméticos e adereços
Uma camada de nomes e coisas que vejo
Tudo ordenado ao meu redor

Em forma de corpo
Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta

Viviane Mosé