quinta-feira, 6 de julho de 2006
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Vermelho e Branco

O sangue vermelho do homem branco,
do homem prêto, do homem amarelo.
O sangue é vermelho, é um sangue só.
O leite branco da mulher branca,
da mulher prêta, da mulher amarela.
O leite é branco, é um leite só.
Deus pôs por dentro de homens e mulheres
de aparências tão diferentes,
uma humanidade só:
o mesmo anseio, a mesma fome,
o mesmo sonho, o mesmo pó;
o mesmo sangue vermelho,
da côr da vida, da côr
o mesmo leite branco,
da côr da paz.
José Guilherme de Araújo Jorge
Minha obra
Pinceladas de barro cor da pele cobrem minhas cicatrizes como um carinho.
Todas as manhãs antes de me iludir com a vida,
lavo no escuro adocicado minhas pequenas pupilas e escorrego o sabão nos cílios da pequena boneca.
Cubro a alma com uma pitada de lápis nas sobrancelhas finas,
faço as ficarem bem grossas com o perfil de misteriosa...
Minhas mãos já sabem de cor a forma de cada olheira...
Profundas de tanta chuva que tomou,
é como se cobrisse minha alma todas as manhãs,
é como se a mim só eu conhecesse...
Quando estou definitivamente uma pintura de Basquiat,
olho-me no espelho e o que vejo?
Um touro, uma donzela, um inseto, uma traça, um sonho!
Não sei bem se vejo ou deliro, mas crio coragem e abro a porta.
Quase sempre venta e lacrimeja.
Coloco a bagagem nas costas,
e de costas me olho mais uma vez no espelho.
Sim, agora estou pronta!
Mensageiros do destino me perdoem, tenho pressa, saiam da frente!
Que meu cansaço derrete meu barro e a escultura cai.
Tenho pressa... minha vida é passageira e meu escudo de pele ???, moldado por cicatrizes.
Quando chego em casa, sento, tiro os sapatos, calço minha essência e choro. Quando a obra facial se desfaz, coloco as mãos sobre o rosto e sorrio, acendo uma vela, abro a torneira e lavo a minha alma, agora nua.
Bárbara Paz
Doido e Doído
O homem doido vindo pela calçada,
O olhar doído de quem não tem nada,
As mãos vazias de toda esperança,
Balançando os braços feito criança.
O que você tanto busca, homem doido?
Revira os bolsos e procura, afoito,
A lembrança do que foi, do que ficou
Perdido no passado e não voltou.
O homem doido sonhou que já foi gente
Que nem a gente, e não um demente
À procura do passado e da razão.
Sonhando assim, doído em solidão,
Conhece mais fundo o mundo e a vida
Do que os sãos (que não vêem a saída).
Autor Desconhecido









