sexta-feira, 30 de maio de 2008

Dorme, meu amor


Dorme, meu amor

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia

E eu estou aqui, de guarda aos pesadelos

Fecha os olhos agora e sossega

O pior já passou há muito tempo

E o vento amaciou

E a minha mão desvia os passos do medo

Dorme, meu amor

A morte está deitada

sob o lençol da terra onde nasceste

E pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres

Mas nada temas

as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me

Eu já morri muitas vezes

e é ainda da vida que tenho mais medo

Fecha os olhos agora e sossega

A porta está trancada

E os fantasmas da casa que o jardim devorou

Andam perdidos nas brumas que lancei no caminho

Por isso, dorme, meu amor

Larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas

Eu já ouvi o silêncio

já vi a escuridão

Já olhei a morte debruçada nos espelhos

E estou aqui, de guarda aos pesadelos

A noite é um poema que conheço de cor

E vou contar-to até adormeceres



Maria do Rosário Pedreira

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