segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Dia Mundial da Alfabetização


Foi aí que nasci: Nasci na sala do 3 ° ano,
sendo professora D. Emerenciana Barbosa, que Deus tenha.

Até então, era analfabeto e despretensioso.
Lembro-me: nesse dia de julho, o sol que descia da serra
era bravo e parado. A aula era de geografia, e a professora
traçava no quadro-negro nomes de países distantes.
As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes,
e Paris era uma torre ao lado de uma ponte e de um rio,
a Inglaterra não se enxergava bem no nevoeiro, um esquimó,
um condor surgiam misteriosamente, trazendo países inteiros.
Então, nasci. De repente nasci, isto é, senti necessidade de escrever.
Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis,
a não ser bonecos sem pescoço, com cinco riscos representando as mãos.
Nesse momento, porém, minha mão avançou para a carteira
à procura de um objeto, achou-o, apertou-o irresistivelmente,
escreveu alguma coisa parecida com a narração de uma viagem
de Turmalinas ao Pólo Norte.



Carlos Drumonnd de Andrade

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