terça-feira, 12 de maio de 2009

Nenhum perigo


Não, não ofereço perigo algum:

Sou quieta como folha de outono

Esquecida entre as páginas de um livro

Sou definida e clara como o jarro

Com a bacia de ágata no canto do quarto

Se tomada com cuidado

Verto água límpida sobre as mãos

Para que se possa refrescar o rosto

Mas

Se tocada por dedos bruscos

Num segundo me estilhaço em cacos

Me esfarelo em poeira dourada



Caio Fernando Abreu

2 comentários:

Anónimo disse...

Talvez seja esse o perigo.

Beijo, Kiss!

Judith disse...

Adorei.
Posso postar isso no meu blog qualquer dia?
Bom fim de semana pra vc! :)